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COMOCOMUNICAR AS DEMISSÕES EM UM CENÁRIO DE CRISE SEM PERSPECTIVAS DE RECOLOCAÇÃO?

Já desenvolvi vários processos de comunicação para grandes reestruturações e desligamentos em massa, devido a cenários de crise ou processos de privatizações e fusões de empresas.

Em todos eles, eu sempre reforcei a importância de não cair na tentação confortável de desenvolver campanhas de comunicação/motivação para os “sobreviventes”, mas sim de preparar e instrumentalizar os gestores para o desligamento das pessoas.

A forma ética e cuidadosa com que você trata quem está saindo nesses momentos é a melhor mensagem para quem fica, que sempre pensa: “Eu sou você amanhã”.

É nessas horas que demonstramos na prática aquele princípio do “respeito às pessoas”, presente na maioria das declarações de valores das empresas.

Mas ainda tem muita empresa, onde a cúpula tenta agilizar o processo de desligamento, com a justificativa da crise, e solicita uma campanha motivacional para a equipe que fica, a qual é lançada no dia seguinte aos desligamentos.

Meu advice é sempre alertar para o risco desse tipo de estratégia e tentar convencê-los da importância do trabalho de preparação dos gestores, inclusive simulando situações mais complexas, e elaborando respostas para questionamentos mais existenciais e emocionais.

Estamos vivenciando um momento de crise muito sério, com poucas oportunidades de recolocação no mercado, para o qual as pessoas que estão sendo desligadas vão muitas vezes ter que se reinventar e fazer mudanças profundas em suas vidas.

Uma notícia recente sobre um processo de demissão na Air France, quando um executivo teve que sair “escoltado” da reunião, demonstra bem esse cenário do qual estou falando.

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/10/executivo-da-air-france-sai-escoltado-de-reuniao-sobre-demissoes.html

Portanto, é hora de muita preparação e cuidado nos processos de comunicação dos desligamentos.