BLOG

Existe Espaço para a Emoção no Mundo Corporativo?

No meu último post, com o título,Quando a reputação da Empresa vai para o CTI,o amigo Josier Vilar, empresário na área de saúde, comentou sobre a importância dos gestores da área de saúde “conduzirem os problemas com método e disciplina, sem perder a compaixão, fundamento essencial da medicina.” Então veio a ideia de debater com vocês sobre como a cada dia fica mais difícil preservar nossa dimensão humana no universo corporativo como um todo, não apenas na área de saúde.

Realmente, a falta de tempo, o excesso de desafios e as estruturas organizacionais tão enxutas, que já desidrataram, não deixam espaço para a emoção conviver sadiamente com a razão nas organizações. Como é triste ver líderes mais humanos serem obrigados pelo sistema a vestir armaduras, esconder a pele, para alcançar metas quase impossíveis e competir por mercados já saturados, com aqueles que, há muito tempo, já têm o corpo revestido de aço inox.

Mas tem horas que os desafios organizacionais demandam decisões que têm que levar em conta a dimensão humana e emocional. Essas decisões esbarram nos processos, fluxogramas e checklists do mundo corporativo e geram insegurança nos executivos acostumados ao pragmatismo dos modelos. 

Decisões sobre como fazer o desligamento de colaboradores em um processo de reestruturação, ou sobre como responder às demandas de líderes comunitários, ambientalistas, pescadores, lojistas, índios, quilombolas, e outras pessoas comuns impactadas, ou com a percepção de terem sido impactadas pelas empresas podem ser pouco estratégicas e até desastrosas, se não levarem em consideração também a dimensão humana e emocional. 

É claro que a razão tem que estar sempre presente nos processos decisórios, mas é a emoção que vai sinalizar a hora de flexibilizar, mesmo não sendo, por exemplo, juridicamente responsável por uma determinada demanda da comunidade, atendê-la por liberalidade. Isso tem que ser feito sempre com o cuidado de não assumir a responsabilidade por um impacto que não foi causado pela empresa e criar um precedente indesejável, o que é totalmente possível . 

O grande desafio hoje é convencer os executivos treinados e  acostumados aos modelos mais pragmáticos, a tirar a armadura corporativa, hidratar a pele, para com a emoção quebrar os modelos e paradigmas organizacionais nessas horas. Como resolver essa dificuldade? Com novos treinamentos? Revendo os processos seletivos? Reconhecendo os líderes mais humanos?...

Este post é apenas para iniciar o debate e a troca de experiências e ideias  com vocês!