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Com os desligamentos das empresas perdemos ou recuperamos a identidade  de nascença?

Neste momento de crise econômica, quando tantos altos executivos estão sendo demitidos, muitos estão sofrendo o problema da perda da identidade. Quantas vezes você foi apresentado ou apresentou um amigo como sendo o “Fulano da Empresa X”? O sobrenome corporativo é algo que acompanha nossa trajetória profissional. Não é fácil largar o possessivo “da empresa X”.

Daí o sentimento de perda de identidade, quando um executivo se aposenta e, principalmente, quando é demitido. O começar de novo, muitas vezes como consultor, acaba sendo retardado pelo fato de o executivo não saber como se apresentar ao mercado. O problema não é excesso de prudência, nem preguiça. É medo mesmo.

É natural que seja assim. O medo não é sinônimo de covardia ou de fraqueza, pois o executivo sempre pulou dos trampolins com a rede de proteção do mundo corporativo. Agora é um pulo solo.

Quando eu fiz esse movimento, ele foi voluntário e eu tinha 33 anos. Eu tinha a audácia e prepotência da juventude e a certeza de que se não desse certo era só voltar para o mundo corporativo. Porém, depois uma "certa idade" e de ter ocupado altos cargos e, principalmente, com a crise atual, o movimento pode não ter volta

Por mais brilhante que o profissional seja, ele muitas vezes tem dificuldade em se enxergar no mercado.  Esquece que é tão competente, que pode dar esse salto sem rede de proteção, pois mesmo que caia mal, não vai se quebrar.

O mais difícil é como se apresentar de novo ao mercado sem o sobrenome corporativo. Que tipo de negócio ou consultoria abrir, que nome dar ao novo empreendimento, com que cargo se intitular.

É claro que existem exceções em que o executivo sabe exatamente o que quer. Normalmente, isso acontece quando o profissional tem plena consciência da sua importância, e consegue visualizar o que o mercado precisa e como reinventar-se.

Mas na maioria das vezes, vejo o colega patinando como um principiante, até o momento em que ele recupera a sua identidade, o seu sobrenome real, não institucional, aquele que estava na ficha do berçário. Então descobre que é realmente um renascer e que muitas vezes  o seu próprio sobrenome é muito maior do que o sobrenome corporativo, o qual é transitório.