Publicações

Estrategistas também  se alimentam de cultura

Vocês devem ter percebido que em nosso site, todas as áreas de atuação da Diferencial foram representadas por fotos de metáforas que refletem as premissas, conceitos e valores de nossos trabalhos. Gustavo, nosso querido designer, ficou surpreso quando eu disse que no site da Diferencial haviam três imagens proibidas: mesa de reunião, executivo com notebook e caneca de café.  Por isso, quando chegou no módulo de publicações - depois de luminárias de bolinhas de gude, estetoscópios, aparelhos de pressão, surfistas, remadores...- e eu disse vamos colocar a foto de uma biblioteca, ele, com razão, achou que eu fugi da linha que defendi.

Só que não era qualquer biblioteca, mas O Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio, que foi considerado uma das 20 bibliotecas mais lindas do mundo pela Revista Time, tem suas paredes em estilo neomanuelino cobertas de livros, sendo a maior coleção de livros portugueses fora de Portugal.

Aí vem a velha história de que os executivos não têm tempo para esse tipo de leitura. Eu mesma, quando escrevi meu livro Humano Institucionais, Crônicas do Universo Corporativo, o fiz de tal forma que ele pudesse ser lido numa ida e volta na ponte aérea Rio-São Paulo. Mas no fundo, nós sabemos que as grande experiências não foram criadas com 10 passos, ne do's and dont's.

Portanto, neste espaço, quero propor a discussão de fragmentos de grandes livros e filmes que tragam ensinamentos para as nossas áreas de atuação e preservação da reputação institucional. Nunca me esqueço de um fórum de discussão on-line,  que montei para altos executivos da Vale que se encontravam fora do Brasil, sobre relacionamento com a mídia.

Quando me perguntaram sobre o que seria o debate, eu respondi: o filme A Rainha,com a estupenda Hellen Mirren no papel da rainha Elizabeth, que demorou a entender a importância de falar à mídia sobre a morte da princesa Diana. 

 

Ela só reverteu a sua imagem negativa quando deu um depoimento mais humano à mídia, falando não apenas como a rainha, mas como avó, conforme sugestão do assessor do primeiro-ministro. É claro que, como consultora, eu poderia ter dado essa dica de forma pragmática. Só que da discussão dessa cena do filme, eu tenho certeza que eles nunca mais vão esquecer.

Quando chega um executivo estrangeiro da matriz de um cliente para participar do gerenciamento de uma crise aqui no Brasil, e pede uma referência bibliográfica, eu normalmente indico, além do Manual de Crise que fizemos ou adaptamos para a realidade brasileira para a própria empresa, a leitura de Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freire, que tem uma versão bilíngue. Da mesma forma que quando vejo meus clientes preparando apresentações para pescadores, sobre o impacto ambiental de determinado projeto que vão realizar,  lembro de algumas linhas de Jorge Amado, antes que se afoguem.

Portanto, aqui será um espaço para compartiharmos e alimentarmos nossas estratégias com dicas de grandes escritores, cineastas, compositores, pintores, especialistas no nosso principal  público: pessoas.